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Opinião do Leitor (2)
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Excelente por Robson (20/11/10)
Gostaria de agradecer a essa escritora por nos presentear com uma obra-prima da ficção.
A sua forma de representação em relação a inúmeros temas como política, conflito de etnias, liberdade de pensamento, idealismos, direitos (sexuais, políticos, em relação a gênero etc), ainda se mostra bastante eficaz ainda nos modelos sociais e geopolíticos modernos.
A escritora consegue no meio de toda a ambientação, o que parece ser impossível pra qualquer escritor mediano, faz pensar, refletir, de forma que ela consegue tocar o coração e a mente do leitor sem influenciar nenhum dos dois (além é claro divertir o leitor).
Um exemplo claro desta forma de representação existe nesse livro, em uma certa situação, o protagonista Genly fica sabendo de um acontecimento que pode mudar aquele mundo como ele o conhece, o porém da situação é que ele conta esse fato de uma perspectiva bastante distante da personagem que está compartilhando o seu relato, de modo que o ouvinte fica sabendo de parte da história como a escritora a expressa em palavras, depois de fatos aparentemente aleatórios (a escritora consegue montar um painel onde tudo se encaixa perfeitamente), o leitor se prestar atenção, entenderá de modo simples e claro o que o narrador queria expressar naquele ponto do livro.
O que quero dizer com isso é que, é assim que deveria funcionar todos os bons livros, revelam parte de seus tesouros e deixam que o leitor se encarregue de descobrir os demais.
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Uma mestre da ficção científica por Raquel (18/11/10)
É meio besta dizer isso, mas "A mão esquerda da escuridão" é um dos livros da minha vida. A Ursula le Guin é uma escritora completamente à parte: à parte da Ficção Científica, à parte da literatura, à parte da sociologia... Filha de um antropólogo famoso, ela realmente consegue reproduzir, com minúcias, o que é ser um indivíduo completamente singular, num lugar estranho. Todos os livros dela são sobre isso -- um outro especialmente apaixonante é "Os despojados - uma utopia ambígua", que agora só existe em sebo.
A coisa é que essa situação, de ser estrangeiro numa terra estranha, faz que a gente invariavelmente se indentifique com os personagens, apesar de eles estarem num planeta fictício, em que as pessoas não têm sexo e é inverno o tempo todo. A princípio, essa identificação seria impossível, porque o primeiro passo da ficção científica é criar o estranho, o insólito. Mas em Ursula le Guin, não. Por mais alienígena que a pessoa seja, ela ainda é essencialmente uma pessoa - o que, por si só já é uma grande lição para todos nós.
Além disso, a prosa dela é de uma beleza impressionante. A narrativa de Genli Ai é intercalada por contos, pequenas histórias vindas, aparentemente, de nenhum lugar, onde os narradores dão um outro tom para o relatório antropológico de Ai. De uma forma estranha, as narrativas têm uma linha, uma lógica poética, que trazem uma carga complexa de significados ao enredo, aparentemente linear e aventuresco. É interessante ver como esse foco sai do estranho para o familiar e as coisas vistas, as descrições, mudam completamente. A questão é toda essa, e um pouco clichê agora, adotada pela antropologia da década de 60: o ponto de vista faz o objeto.
Enfim. Eu amo esse livro, sem reservas, e espero que a Aleph se anime de traduzir mais e mais le Guin!
