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A Mão esquerda da escuridão

Ursula K. Le Guin
Vivendo numa terra estranha, o emissário Genly Ai tenta fazer do Planeta Inverno parte da coalizão de planetas que representa. Porém, este lugar único, habitado por seres andróginos, muito em breve irá revelar que tal missão não é nada fácil. Saudado pela revista Newsweek como uma obra-prima da ficção científica, o livro também é tido como um marco na literatura ficcional por tratar de temas como polarização política, contestações e conflitos religiosos, liberação feminina e igualdade entre os sexos.
R$ 42,00
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Dados Técnicos

 
ISBN:
978-85-7657-057-8
Tradução:
Susana Alexandria
Edição:
Ano:
2008
Número de páginas:
296
Acabamento:
Brochura
Formato:
14x21cm
Peso:
0,375kg
 

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Opinião do Leitor (2)

 
  1. Excelente por Robson (20/11/10)

    Gostaria de agradecer a essa escritora por nos presentear com uma obra-prima da ficção.

    A sua forma de representação em relação a inúmeros temas como política, conflito de etnias, liberdade de pensamento, idealismos, direitos (sexuais, políticos, em relação a gênero etc), ainda se mostra bastante eficaz ainda nos modelos sociais e geopolíticos modernos.

    A escritora consegue no meio de toda a ambientação, o que parece ser impossível pra qualquer escritor mediano, faz pensar, refletir, de forma que ela consegue tocar o coração e a mente do leitor sem influenciar nenhum dos dois (além é claro divertir o leitor).

    Um exemplo claro desta forma de representação existe nesse livro, em uma certa situação, o protagonista Genly fica sabendo de um acontecimento que pode mudar aquele mundo como ele o conhece, o porém da situação é que ele conta esse fato de uma perspectiva bastante distante da personagem que está compartilhando o seu relato, de modo que o ouvinte fica sabendo de parte da história como a escritora a expressa em palavras, depois de fatos aparentemente aleatórios (a escritora consegue montar um painel onde tudo se encaixa perfeitamente), o leitor se prestar atenção, entenderá de modo simples e claro o que o narrador queria expressar naquele ponto do livro.

    O que quero dizer com isso é que, é assim que deveria funcionar todos os bons livros, revelam parte de seus tesouros e deixam que o leitor se encarregue de descobrir os demais.

     

  2. Uma mestre da ficção científica por Raquel (18/11/10)

    É meio besta dizer isso, mas "A mão esquerda da escuridão" é um dos livros da minha vida. A Ursula le Guin é uma escritora completamente à parte: à parte da Ficção Científica, à parte da literatura, à parte da sociologia... Filha de um antropólogo famoso, ela realmente consegue reproduzir, com minúcias, o que é ser um indivíduo completamente singular, num lugar estranho. Todos os livros dela são sobre isso -- um outro especialmente apaixonante é "Os despojados - uma utopia ambígua", que agora só existe em sebo.

    A coisa é que essa situação, de ser estrangeiro numa terra estranha, faz que a gente invariavelmente se indentifique com os personagens, apesar de eles estarem num planeta fictício, em que as pessoas não têm sexo e é inverno o tempo todo. A princípio, essa identificação seria impossível, porque o primeiro passo da ficção científica é criar o estranho, o insólito. Mas em Ursula le Guin, não. Por mais alienígena que a pessoa seja, ela ainda é essencialmente uma pessoa - o que, por si só já é uma grande lição para todos nós.

    Além disso, a prosa dela é de uma beleza impressionante. A narrativa de Genli Ai é intercalada por contos, pequenas histórias vindas, aparentemente, de nenhum lugar, onde os narradores dão um outro tom para o relatório antropológico de Ai. De uma forma estranha, as narrativas têm uma linha, uma lógica poética, que trazem uma carga complexa de significados ao enredo, aparentemente linear e aventuresco. É interessante ver como esse foco sai do estranho para o familiar e as coisas vistas, as descrições, mudam completamente. A questão é toda essa, e um pouco clichê agora, adotada pela antropologia da década de 60: o ponto de vista faz o objeto.

    Enfim. Eu amo esse livro, sem reservas, e espero que a Aleph se anime de traduzir mais e mais le Guin!

     


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